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#EV_04: RETRATOS DO INVISÍVEL: IDENTIDADE, GÊNERO E SOCIEDADE

 PPES_ANO_2010_POEMAS_MELANCOLIA

PROJETO #EntreVersos_2010

REDAÇÃO #EV4


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RETRATOS DO INVISÍVEL: IDENTIDADE, GÊNERO E SOCIEDADE


A poesia de Pedrim Pescador não habita apenas o interior da alma; ela também olha para fora e registra, com sensibilidade e coragem, as identidades que a sociedade muitas vezes prefere ignorar, marginalizar ou tornar invisíveis. Em meio à melancolia pessoal, surge um olhar empático e social que amplia o alcance da obra, mostrando que a dor individual pode ser uma lente para entender a dor do outro.


O exemplo mais marcante e delicado desse olhar é o Poema #26, “LOOK’SELATION”. Nele, o poeta observa e revela a dualidade de uma pessoa trans/travesti, capturando não apenas a aparência, mas a história e o conflito interior por trás da expressão de gênero.


“Revela que ele é ela / mais que cinderela / ele é a mais bela dos travestis”


A linguagem é direta, mas carregada de respeito e admiração. O poeta não exotiza, não julga, não reduz. Ele revela. Revela a beleza, a força, mas também a dor: “E passa as noites fugindo do’ açoites / que por muitos anos deixou-lhe infeliz”. A identidade de gênero, aqui, não é uma abstração; é uma narrativa de sobrevivência, marcada pela violência e pela busca por um lugar no mundo onde se possa existir em paz, seja como “Sargento Ronca” de dia, seja como “Madame Crouquis” à noite.


Esse poema é um ato de visibilidade. Em uma sociedade que muitas vezes apaga, agride ou ridiculariza identidades não normativas, Pedrim faz o oposto: ele ilumina. E ao iluminar, ele humaniza. A pessoa retratada deixa de ser um “outro” distante e se torna um indivíduo com história, sonhos e cicatrizes.


Mas o olhar para o invisível não para por aí. Em outros poemas, o foco se volta para os excluídos sociais de forma mais ampla. No Poema #03, o eu lírico se compara a um “mendigo pedinte dos sinais”, a um “chiclete grudado no sapato”, a um “catarro que escorre”. São imagens fortes que capturam a sensação de descartabilidade que atinge tantas pessoas à margem da sociedade – os pobres, os doentes, os que não se encaixam.


Há também uma crítica sutil às normas sociais que aprisionam. No Poema #28, “NORMAS”, o poeta reconhece que existem regras a seguir, mas o tom não é de submissão cega. É de consciência. Ele sabe que há “alegrias definíveis” e “amores a ser encontrados”, mas essa consciência parece vir de quem já questionou tais estruturas por dentro. E no Poema #10, “O QUE OS SORRISOS DIZEM…”, ele desmonta a performance social obrigatória – os sorrisos que são “por causa dos flashes”, não da alegria real.


Ao dar voz e imagem a essas identidades e experiências marginais, a poesia de Pedrim realiza um movimento duplo. Primeiro, ela valida a existência daqueles que a sociedade insiste em ignorar. Segundo, ela expande a própria noção de humanidade do poeta. Sua melancolia individual encontra ecos na melancolia coletiva de quem também luta para ser visto, aceito e amado.


Portanto, estes “retratos do invisível” são muito mais que exercícios de tema social. Eles são pontes de empatia. Eles nos convidam a parar de olhar apenas para nosso próprio umbigo e a enxergar as batalhas silenciosas que acontecem ao nosso redor. Pedrim nos mostra que a verdadeira poesia não tem medo do outro – ela se aproxima, escuta e, com palavras cuidadosas, torna visível o que muitos se esforçam para esconder.


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Autor: Pedro Henrique Serrano Léllis (Pedrim Pescador)

Projeto: #EntreVersos_2010

Próxima redação: #EV5 → Ecologia do ser: natureza, tecnologia e desilusão


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Pronto para seguir. #EV5 é o próximo, ou há outra camada que você gostaria de explorar?

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