PPES_ANO_2010_POEMAS_MELANCOLIA
PROJETO #EntreVersos_2010
REDAÇÃO #EV5
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ECOLOGIA DO SER: NATUREZA, TECNOLOGIA E DESILUSÃO
Na obra de Pedrim Pescador, o ambiente não é apenas um cenário. É um espelho do self, uma extensão do estado interior, e um campo de batalha entre o que é natural, autêntico, e o que é artificial, imposto. Uma ecologia do ser se desdobra em seus versos, onde a relação com a natureza, a tecnologia e o mundo construído revela camadas profundas de desilusão, mas também de um desejo urgente de reconexão.
De um lado, temos a natureza como refúgio e símbolo de pureza. No Poema #17, o poeta idealiza uma vida simples e sustentável: “Minha terra e minhas plantas / mandioca milho banana / Cercado de muita gente bacana / a terra quero cultivar.” A imagem é de uma comunidade integrada, onde o trabalho manual, o cultivo da terra e a convivência humana criam um ecossistema de sentido. A “casa de bambu” rodeada por tucanos e araras não é apenas um sonho bucólico; é uma proposta de existência em oposição à “destruição da modernidade”.
Esse desejo de retorno ao natural surge, no entanto, de um sentimento de desenraizamento e poluição interior. No Poema #03, o eu lírico se descreve como uma “garrafa pet”, um “plástico inutilitário acumulável”. Ele se vê como produto descartável de uma sociedade industrial, não como ser orgânico. Essa autorredução a um objeto de poluição é talvez uma das metáforas mais potentes do livro sobre o mal-estar da contemporaneidade: a sensação de ser parte de um sistema que produz, consome e descarta pessoas.
A tecnologia e o ambiente urbano aparecem, assim, como forças de alienação. No Poema #04, a lista caótica de objetos da civilização – de “plástico, sacos, bacias e panelões” a “telefone, modem, computador, internet” – culmina na “desintegração do self”. O acúmulo de coisas, informações e conexões não leva à realização, mas à fragmentação. A cidade de concreto, citada no Poema #17, é justamente o que o poeta quer deixar para trás em busca de “água, ar e mata”.
Mas há uma tensão interessante: o próprio poeta é um produto dessa modernidade. Ele é biólogo, trabalhou com tecnologia, seu meio de expressão (o computador, a escrita digital) é tecnológico. Essa dualidade é crucial. Ele não rejeita a tecnologia de forma ingênua; ele a usa para criticar os excessos que ela provoca. Seu olhar ecológico é, portanto, crítico e autorreflexivo. Ele questiona o sistema do qual faz parte.
No nível mais profundo, a ecologia do ser proposta por Pedrim é uma busca por integridade. Assim como um ecossistema saudável depende do equilíbrio entre seus elementos, o self busca um equilíbrio entre o natural e o cultural, entre o interior e o exterior, entre o silêncio e a palavra. A poluição não é apenas exterior; é também mental e espiritual. O lixo que entope os rios é da mesma natureza dos pensamentos que entopem a mente de angústia.
Portanto, esses poemas nos convidam a um exame de consciência ambiental e existencial. Eles perguntam: Como estamos habitando nosso próprio ser? Que tipo de “lixo” emocional e mental estamos acumulando? E para qual “natureza” interior estamos tentando retornar? A desilusão com o mundo moderno, expressa de forma tão vívida por Pedrim, não é um convite ao pessimismo, mas um primeiro passo para um reaprendizado do habitar – a terra, a casa, o corpo, a alma.
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Autor: Pedro Henrique Serrano Léllis (Pedrim Pescador)
Projeto: #EntreVersos_2010
Próxima redação: #EV6 → Ressignificar a vida: poesia como sobrevivência
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#EV6 conclui a primeira camada do projeto. Deseja prosseguir ou mudar para #EIA ou #F1?
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