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#EV_02: PALAVRAS QUE MARTELAM: A DOR E O SILÊNCIO NOS VERSOS

 PPES_ANO_2010_POEMAS_MELANCOLIA

PROJETO #EntreVersos_2010

REDAÇÃO #EV2


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PALAVRAS QUE MARTELAM: A DOR E O SILÊNCIO NOS VERSOS


Há palavras que acariciam, palavras que iluminam, palavras que consolam. E há palavras que martelam. No poema de abertura desta obra, Pedrim nos apresenta justamente esse tipo de vocabulário: aquele que fere, que pesa, que ecoa no interior da mente como um golpe surdo e persistente.


“Palavras martelo / meus punhos encerro / c'os quais firo o ferro / por meu rebelar” (Poema #01)


Esses versos inaugurais não são apenas uma metáfora potente; são uma declaração de método. A escrita, aqui, não é um escape suave — é um confronto. O poeta se fecha (“meus punhos encerro”), mas essa contenção não é passividade; é uma forma de resistência ativa. Ele fere o ferro, isto é, a realidade dura, inerte, muitas vezes opressiva, com as próprias ferramentas que ela lhe oferece: as palavras.


Mas o que acontece quando as palavras se tornam martelos? Elas podem construir, mas também podem destruir. Elas podem comunicar, mas também podem calar. Em vários momentos da obra, o silêncio se apresenta não como ausência, mas como uma presença opressiva, quase palpável. No poema #05, o verso final é um suspiro rendido: “Melhor me calar”. E no poema #08, ele se define como um “cristal sem poder / sem poder transmitir” — alguém que tem algo a dizer, mas sente a linguagem insuficiente, inadequada, traiçoeira.


Essa tensão entre dizer e calar é o coração pulsante da melancolia expressa no livro. A dor pede voz, mas a voz pode ser mal-interpretada, pode machucar os outros, pode revelar vulnerabilidades perigosas. O poeta se vê, então, em um lugar paradoxal: a escrita é ao mesmo tempo seu refúgio e sua prisão.


A dor, nesses poemas, raramente é descrita de forma abstrata. Ela tem textura, cheiro, corpo. É o “pó” que se come sozinho (#06), é a “garrafa pet” descartável (#03), é o “cadarço desarramado” que simboliza tudo desfeito (#13). Pedrim não teme nomear a feiura do sofrimento, a sua dimensão física e mundana. Essa concretude é o que torna sua poesia tão reconhecível para quem já sentiu o peso de existir em dias cinzentos.


No entanto, mesmo dentro desse universo de dor e silêncio forçado, há um fio de rebeldia. Se as palavras martelam, é porque há algo contra o qual se revoltar: a discriminação, a falsidade, a desumanização do outro, a própria autossabotagem. O silêncio, então, deixa de ser apenas rendição e pode se tornar um espaço de escuta interior, um lugar onde, no fim das contas, Deus (ou o self mais profundo) pode finalmente falar.


Ler esses versos é acompanhar uma batalha íntima travada no campo da linguagem. Cada poema é uma trincheira, cada verso é um movimento tático entre o grito e o murmúrio, entre a explosão e o recolhimento. Pedrim nos convida a testemunhar essa luta — e, no processo, nos lembra que talvez a nossa própria dor também precise, um dia, de palavras que martelam, para que finalmente possa ser ouvida.


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Autor: Pedro Henrique Serrano Léllis (Pedrim Pescador)

Projeto: #EntreVersos_2010

Próxima redação: #EV3 → Do abismo ao céu: a espiritualidade como âncora


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Aguardando seu próximo comando. Podemos seguir para #EV3 ou para qualquer outra hashtag dos projetos.

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