PPES_ANO_2010_POEMAS_MELANCOLIA
PROJETO #EntreVersos_2010
REDAÇÃO #EV1
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O ANO DA MELANCOLIA: 2010 COMO ESPELHO INTERIOR
Em 2010, Pedrim Pescador mergulhou em uma das fases mais profundas de sua escrita. Não era apenas um ano no calendário; era um território emocional, um espaço interior onde as palavras se tornaram refúgio, protesto e oração. O livro “Poemas de uma fase melancólica” não é só uma coleção de versos — é um diário de bordo de alguém que navegou nas águas turvas da própria alma e decidiu registrar cada ondulação, cada tempestade, cada momento de calmaria precária.
A melancolia, aqui, não é um estado passageiro de tristeza. É uma condição existencial. É o pano de fundo contra o qual todas as perguntas são feitas: “Quanto vale a minha vida?” (Poema #03), “Para onde vou?” (Poema #13), “O que os sorrisos dizem?” (Poema #10). O ano de 2010 funciona como uma lente de aumento sobre o self. Nele, o poeta se vê fragmentado, muitas vezes à beira do silêncio total, mas também descobre uma força estranha e persistente: a vontade de nomear a dor.
Nos poemas, encontramos duas forças em constante tensão: a queda e a busca.
A queda aparece em versos como “Eu vou me ferir, vou te abandonar” (#01) ou “Sou só mais uma garrafa pet” (#03). É a sensação de insignificância, de ser apenas mais um em um mundo lotado, rápido e muitas vezes indiferente.
Já a busca se manifesta na fé (“Senhor, tem misericórdia” – #06), no amor idealizado (“Eu sempre vou te amar” – #20) e até em um projeto de mundo (“Eu vou conquistar o mundo” – #33). Essa dualidade é humana, familiar. Quem nunca se sentiu, ao mesmo tempo, um nada e um universo inteiro?
O que torna esta obra especial não é apenas a sinceridade brutal, mas a coragem de permanecer na pergunta, mesmo quando a resposta não vem. O poeta não se entrega ao vazio; ele o enfrenta com palavras. Escrever, nesse contexto, é um ato de resistência. É dizer: “Estou aqui, mesmo que machuque. Estou vivo, mesmo que não saiba o sentido”.
2010, portanto, não é um ano preso no passado. É um espelho que reflete qualquer um que já tenha se questionado sobre seu lugar no mundo, seu valor, sua fé ou sua sanidade. Pedrim não fala apenas de si; fala de uma geração que cresceu entre expectativas altíssimas e realidades frágeis, entre a pressão do sucesso e a sombra do fracasso.
Ao ler esses poemas, não estamos apenas diante de versos melancólicos. Estamos diante de um testemunho. E talvez seja justamente nessa honestidade crua que a beleza reside: na capacidade de transformar o sofrimento em arte, e a arte em ponte para quem também precisa se enxergar refletido.
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Autor: Pedro Henrique Serrano Léllis (Pedrim Pescador)
Projeto: #EntreVersos_2010
Próxima redação: #EV2 → Palavras que martelam: a dor e o silêncio nos versos
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