Sejam Bem-Vindos (as) ! Blog elaborado para divulgar o livro "ANO 2010 - Poemas de uma Fase Melancólica", reflexões e aplicações acadêmicas.


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# EV6 – RESSIGNIFICAR A VIDA: POESIA COMO SOBREVIVÊNCIA

 EV6 – RESSIGNIFICAR A VIDA: POESIA COMO SOBREVIVÊNCIA


O ato de escrever, para muitos, é um ofício, uma arte ou um passatempo. Para Pedrim Pescador, em sua fase melancólica de 2010, a poesia foi algo mais vital: um instrumento de sobrevivência. Diante do desespero, da depressão e das tentativas de suicídio que ele mesmo menciona nos interlúdios do livro, os poemas surgem não como meros registros de dor, mas como ferramentas ativas de ressignificação.


Escrever sobre a dor é, em primeiro lugar, tirá-la de dentro. É passar o caos interno para o papel, onde ele pode ser observado, nomeado e, de certa forma, contido. No Poema #01, “Palavras Martelo”, já vemos essa dinâmica: a palavra é o martelo que fere o ferro da realidade dura, mas é também o meio pelo qual o poeta se rebela contra ela. A escrita se torna um espaço controlado onde o incontrolável (a angústia) pode, finalmente, ser encarado.


Mas a poesia neste livro não se limita a extrair a dor; ela também a transforma. O sofrimento, uma vez colocado em versos, deixa de ser uma experiência muda e opressiva e se torna matéria-prima para criação. O que era apenas um sentimento paralisante ganha ritmo, imagem, estrutura. No Poema #13, “As Revoltas do Meu Ser”, o poeta enumera as “revoltas” – o limo no quarto, a árvore de um galho só, o PC sem drive – mas ao enumerá-las em forma de poema, ele organiza o caos. A desordem interior é, sim, exposta, mas dentro de uma ordem estética que, em si, já é um primeiro passo em direção ao reequilíbrio.


Há também um movimento claro de busca de sentido através da linguagem. Nos momentos de maior desespero espiritual, como no Poema #06 (“Sozinho Comendo Pó”), a oração e a poesia se fundem: “Senhor, tem misericórdia”. O verso é tanto uma súplica a Deus quanto um verso do poema. A fé e a arte se tornam parceiras no processo de dar sentido ao que parece não ter nenhum. A escrita se torna um ato de fé no próprio processo de cura.


Olhando para o livro como um todo, vemos uma narrativa de transformação. Ele começa com conflito e isolamento (“Palavras Martelo”) e termina com um projeto de conquista e realização (“Eu Vou Conquistar o Mundo”). Os poemas no meio do percurso documentam as quedas, as dúvidas, os vislumbres de amor e os apelos divinos. Juntos, eles contam a história de alguém que usou as palavras para não afundar e, no processo, descobriu não apenas uma voz poética, mas uma nova razão para seguir em frente.


Portanto, “Poemas de uma fase melancólica” é muito mais que um título. É uma declaração de processo. A melancolia não é o estado final; é a matéria-prima, o combustível para uma jornada de autoconhecimento e reconstrução. Pedrim não nos apresenta uma dor estática; ele nos mostra a dor em movimento, sendo trabalhada, moldada e, finalmente, transformada em algo que pode ser compartilhado – e que, ao ser compartilhado, talvez ajude outros em suas próprias jornadas.


A poesia, neste sentido, é a tábua de salvação que o poeta agarrou no meio do mar revolto. E ao nos entregar esses versos, ele nos oferece não apenas um pedaço de sua alma, mas um testemunho poderoso: mesmo nas fases mais escuras, criar pode ser um modo de não apenas sobreviver, mas de começar, palavra por palavra, a ressignificar a própria vida.


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Autor: Pedro Henrique Serrano Léllis (Pedrim Pescador)

Projeto: #EntreVersos_2010

Fim da Fase 1 – Projeto #EntreVersos_2010 concluído.


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Próximos passos: Podemos iniciar a Fase 2 com o projeto #EIA_Estudos_Transversais_2010 ou a Fase 3 com #F1_Academico_2010. O comando é seu.

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