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#13 → AS REVOLTAS DO MEU SER

 PPES_ANO_2010_POE

Pedro Henrique Serrano Lélis

@pedrimpescador


Poema de N #13 - AS REVOLTAS DO MEU SER


Este poema é um inventário íntimo de danos e fragmentos. Cada estrofe apresenta uma imagem de algo quebrado, manchado ou incompleto: o “limo impregnado”, a “árvore de um só galho”, a “janela dum estilhaço”, o “PC sem drive D”. Essa acumulação de ruínas internas culmina na pergunta: “não sei para onde vou”. No entanto, há um movimento de fé no final – o eu lírico se levanta com a bagagem, crendo que Deus já lhe respondeu. É um dos poemas que melhor traduz a luta entre despedaçamento e reconstrução espiritual.


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Revoltas do meu ser

Há um limo impregnado

Nos azulejos do meu quarto

Meu retrato está falho

O tempo lho desfigurou


A minha árvore de um só galho

A minha coberta dum só retalho

A minha janela dum estilhaço

Qu'o vento lhos quebrou


Na minha luz tem uma mancha

No machucado parte sangra

O meu cadarço desarrama

Qu'os pedaços qu'o pé trilhou


O meu PC sem drive D

O meu papel sem escrever

O meu corpo que sem ser

Não valoriza o que restou


À calçada eu vejo cartas

Notas mais do que rasgadas

Ideias loucas mui esparsas


Por tudo que já mos desandou


O meu espelho foi pintado

Não retrata meu estado

Interrogação inconformada

Por não mais saber quem sou


Existem penas em minhas asas

De qualquer jeito há uma passagem

Até programo uma viagem

Mas não sei para onde vou


Eu supliquei [à Deus] em fortes frases

Sua resposta [imediata] não me foi miragem

Me levantei [disposto] com a bagagem

Pois a resposta [que esperava] o meu Deus já me mandou.


Obrigado, Senhor, por mais este poema.


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Pedro Henrique Serrano Lélis

Tel: +55 (27) 99834-4078

Instagram: @pedrimpescador

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